domingo, 5 de junho de 2011

vigésimo quarto capitulo.


                                                  A verdade vem à tona.

  Os anos foram passando, Tomás começou a trabalhar, Gertrudes ajudava em tudo, Sofia virou uma pessoa caseira e Caio já correia pelo apartamento inteiro, este tinha três anos, falava umas coisas arranhadas e outras nítidas, era um tagarela. Era uma vida boa para quem olha de fora, mas para quem esta preso aquele mundo, não era algo bom de viver. Sofia parecia ter se tornado outra pessoa, ela andava mal arrumada, só conversava com o filho e ficava o dia inteiro no quarto, muitas das vezes chorando de soluçar. O namorado e a avó estavam ficando preocupada com aquilo, talvez ela estivesse entrando em uma depressão, mas teria que ser algo a se cuidar.
  Belo dia Tomás encontra a moça estirada no chão com os olhos vermelhos e inchado, ele a pega no colo rápido e dá uns tapinhas para ver se estava dopada.
- você merece uma vida melhor. – disse Sofia com o olhar completamente morto.
- meu lugar é ao seu lado, vamos, vou te colocar na cama.
- eu sou uma pessoa horrível Tom. – insistiu ela.
Ele a pegou e levou a cama, quando esta estava sozinha começou a remoer em pensamentos “ você mentiu para o homem mais inocente “ , “ esse filho não é dele “, não é merecido viver com essa culpa “, não vai agüentar continuar mentindo “ ... Então Tomás apareceu à porta do quarto.
- esta melhor?
- estou sim. - respondeu ela se levantando – vou passar um pano na casa.
- vamos levar Caio no parquinho, sua avó vai com a gente. – ele disse sorrindo.
- eu não quero, não. Podem ir outro dia eu vou. – ela pegou um esfregão e começou a limpar.
Eles analisaram-na e Sofia parecia bem aparentemente então levaram o garoto que já estava inquieto.
  Ela começou limpando a sala, passou para o corredor que levava aos quartos, limpou o quarto do filho e foi para o quarto deles, lá começou a arrumar a cama que ultimamente vivia embolada de cobertas, ao mexer embaixo do colchão achou um revolver que eles esconderam ali em caso de assalto. Ela observou a arma, foi ate a sala, pegou um pedaço de papel e caneta, escreveu uma cartinha, foi para o banheiro e fechou a porta. Abriu a arma e viu que havia duas balas, fechou e mirou na cabeça, na hora teve medo, mas as vozes voltaram a sua cabeça “ você é uma mulher da vida, mentindo para seu namorado, fazendo-o de bobo, de idiota, eu se fosse você, me matava “. Sofia puxou o gatilho e fechou os olhos, chorava horrores, então ela engoliu seco.
- é melhor acabar com isso, não agüento mais.
PÁ!
  D. Gertrudes foi a primeira a entrar, Caio estava fazendo um showzinho no corredor, então procurou por Sofia e viu um papel em cima da mesa, correu ao corredor e chamou Tomás, que foi imediatamente, ele leu a carta.

          Uma pessoa boa como você jamais deveria ter se interessado por alguém como eu, eu menti para ti esse tempo todo, quando você ia para a faculdade eu dormia com outro homem, um cara que conheci na praia antes de você chegar aqui. Eu te usei Tom e peço desculpas por isso, eu disse que sou uma pessoa horrível mas você não quis acreditar, e o Caio ...
Bom, ele não é seu filho, é filho do outro mas o safado era casado, me desculpe Tom. Eu não consegui suportar as mentiras, acho que virei mesmo uma carioca, meu corpo esta no chão do banheiro, não deixe meu filho me ver, quero que ele tenha uma boa imagem de mim. Me perdoe. “
Tomás jogou a carta no chão e chorou de raiva e tristeza, pediu Gertrudes que brincasse com Caio lá fora enquanto chamava os bombeiros, ao abrirem a porta lá estava a sua amada, ensangüentada com um buraco na cabeça e os olhos chorosos.
  No dia do enterro não apareceu muita gente, o pai dela chorava muito, a avó chorava moderadamente, mas Tomás parecia anestesiado, procurava por um homem que parecesse com Caio, mas esse não estava presente, para falar a verdade Gustavo foi para Belo Horizonte assim que Sofia lhe disse que estava grávida.
  Terminado o enterro Gertrudes foi falar com Tomás.
- é difícil agora, mas com certeza vai encontrar alguém que lhe dê o devido valor.
- por que ela fez isso tudo ? – ele dizia inconformado.
- eu tinha medo disso acontecer, tentei tudo que podia. – Gertrudes mesma se interrompeu.
- o que quer dizer? – Tomás se virou para a dona.
- a mãe dela fez a mesma coisa com meu filho e até hoje ele a ama.
- Sofia não era sua neta?
- não. Eu a criei porque fiquei com pena, não foi a mesma morte, mas a mesma situação. Duas mulatas bonitas, inteligentes, mas com uma mentalidade fraca.
  O rapaz manteve contato com a senhora, eram amigos, passavam tardes de domingo juntos, ele namorou Cristina por cinco anos e se casou com ela tendo dois filhos e enquanto a Caio, bom, ele foi mandado para um orfanato, Tomás pegou raiva da criança.
  Essa não é uma historia com um final de conto de fadas, não foi uma historia parecida com nenhuma de princesas porque as princesas viraram plebéias.

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